Somos afrodescendentes e evangélicos sim, membros do corpo de Cristo, Senhor da Igreja. Nós aqui chegamos na condição de escravos. Nosso país recebeu o maior número de escravos em relação aos demais países na América Latina e foi o último país a abolir a escravidão negra. Na história da humanidade não se tem registro de uma escravidão tão longa e cruel quanto à do negro no Brasil. Fomos desrespeitados ao longo da história, reprimidos e massacrados em nossos valores religiosos. No mesmo barco que veio o colonizador veio o evangelizador. Colonizar significava evangelizar. Esta evangelização, no princípio foi representada pelo catolicismo e, mais tarde, pelo protestantismo. A expressão religiosa do negro passou a ser associada à coisa do demônio. Nos evangelizavam, sem no entanto nos considerar como sujeitos do processo de evangelização. Quase tudo nos foi negado ao longo destes séculos de conquista e colonização. Jamais, porém, conseguiram apagar em nós a esperança.
Somos afrodescendentes e evangélicos sim, congregados de diversas igrejas protestantes. Sabemos que as igrejas históricas foram as primeiras denominações protestantes a chegarem no Brasil através dos imigrantes, e depois pelos missionários estrangeiros. Essas igrejas chegaram no período da escravidão. Dentro delas havia os que buscavam reproduzir o modelo escravocrata firmado em um discurso teológico, e não conseguiam ver a incompatibilidade entre escravidão e fé cristã. Estes eram os missionários que vieram do sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota na guerra da Secessão contra o Norte pela libertação dos escravos. A grande maioria desses primeiros protestantes quando não escravistas eram omissos. Eles também defendiam a sua posição teologicamente, afirmando que a Igreja não devia interferir no Estado. Além disso, havia a divisão arbitrária entre o espiritual e o material, entre o corpo e a alma, pensamento que até hoje permanece em muitas igrejas. Reconhecemos também a existência dos abolicionistas: eram em sua maioria missionários do norte dos Estados Unidos, europeus, e um pequeno grupo de convertidos brasileiros.
Somos afrodescendentes e evangélicos sim, e lamentamos que os missionários que aqui chegaram no período da escravidão vieram para fazer missões, ganhar a elite brasileira e constituir suas igrejas. Só se manifestaram a favor da abolição quando o Brasil inteiro já estava convencido do seu fim, uma tragédia para quem devia transformar a sociedade. Mesmo os que tinham uma postura defensora dos direitos humanos e da abolição do escravismo na Inglaterra e nos EUA, ao chegarem no Brasil acomodaram-se ao ambiente escravista e quase nada fizeram com repercussão pública, em favor dos escravos. A Igreja Evangélica jamais chegou a defender oficialmente sua posição em relação à escravidão no Brasil. Se passaram mais de 100 anos e as Igrejas continuam com seu silêncio covarde e pecaminoso diante da realidade de opressão e racismo na qual se encontram os afrodescendentes.
Somos afrodescendentes e evangélicos sim, pois em meio ao sentimento de dor, tristeza e indignação, enchem-nos de esperança as experiências de Deus em Jesus Cristo, através das quais vivemos a nossa fé como negros e negras. Não queremos apenas lamentar, é tempo de profetizar e denunciar, mas também de proclamar que a Igreja Evangélica brasileira só poderá viver verdadeiramente a sua Missão Integral se contemplar a questão do afrodescendente. Temos a convicção de que estamos vivendo tempos da manifestação de Deus entre nós e entendemos que os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. A Igreja tem de ser a voz que fará a diferença no mundo descendo até os excluídos, como resultado da tragédia da escravidão e marginalização. É preciso sim que os afrodescendentes recebam um tratamento diferenciado porque foi assim que Deus fez a Israel quando foi escravo no Egito.
Somos afrodescendentes e evangélicos sim, e compreendemos que a verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. A igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Vimos por esse meio apelar ao II Congresso Brasileiro de Evangelização – CBE2 que dê um basta na omissão da Igreja Evangélica brasileira e quebre o silêncio dos púlpitos com a temática negra e que não fique só nas palavras, nos sermões e nas declarações, mas também através de ações concretas: programas, campanhas, ações afirmativas e reparações. E juntos vamos “Proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo”.
Comentário de Osny Honorio em 13 maio 2009 às 17:58
Neste dia 13 de maio, acessei este ensaio que repasso para reflexão. Chamou-me a atenção o que diz o autor ao final do texto. A dificuldade de muitos afro-descendentes de assumirem sua identidade, permite que tenhamos 136 definições para classificação da cor de uma pessoa e, isto é dito pelos próprios afro-descendentes. LEIAM e COMENTEM.
A Formação da População Brasileira
A população brasileira formou-se a partir de três grupos étnicos básicos: o indígena, o branco e o negro. A intensa miscigenação (cruzamentos) ocorrida entre esses grupos deu origem aos numerosos mestiços ou pardos (como são chamados oficialmente), cujos tipos fundamentais são os seguintes: mulato (branco + negro), o mais numeroso; caboclo ou mameluco (branco + índio) e cafuzo (negro + índio), o menos numeroso.
Sobre essa base juntaram-se, além dos portugueses, que desde a colonização continuaram entrando livre e regularmente no Brasil, vários outros povos (imigrantes), ampliando e diversificando ainda mais a formação étnica da população brasileira. Os principais grupos de imigrantes que entraram no Brasil após a independência (1822) foram os seguintes: atlanto-mediterrâneos (italianos e espanhóis), germanos (alemães), eslavos (poloneses e ucranianos) e asiáticos (japoneses).
A população brasileira é, assim, caracterizada por grande diversidade étnica e intensa miscigenação.
A elevada miscigenação ocorrida no período colonial, principalmente entre brancos (portugueses) e negros (africanos) , explica o rápido crescimento do contingente de mulatos em relação ao contingente de negros.
Em 1800, os negros eram 47% da população, contra 30% de mulatos e 23% de brancos. Fatores como, por exemplo, a proibição do tráfico de escravos (1850), a elevada mortalidade da população negra, o forte estímulo à imigração européia (expansão cafeeira), além da intensa miscigenação entre brancos e negros, alteraram profundamente a composição étnica da população brasileira. Em 1880, os negros estavam reduzidos a 20% da população, contra 42% de mulatos e 38% de brancos. Daí em diante, ocorreu a diminuição constante da população negra e aumento progressivo da população branca (intensificação da imigração européia, após a Abolição da Escravidão). Em 1991, os negros eram apenas 4,8% da população total, contra 55,2% de brancos e 39,2% de mestiços.
Excluídos do processo de desenvolvimento econômico e social do país, os negros formam atualmente, ao lado de grande parte de outras camadas não-brancas (mulatos, índios etc.) um enorme contingente de brasileiros marginalizados.
Os dados estatísticos fornecidos pelo recenseamentos gerais são relativamente precários e, até mesmo, omissos. No censo demográfico de 1970, por exemplo, no auge de regime militar, não há nada relativo aos negros e aos índios. Por quê? Manobra estratégica do governo para impedir a conscientização ou atuação de grupos étnicos minoritários?
Os números oficiais, principalmente os que se referem a brancos e negros, são passíveis de questionamento.
• O primeiro recenseamento oficial no Brasil só foi realizado em 1872, ou seja, 372 anos após a chegada dos portugueses e cinqüenta anos após a Independência do país.
• Há muita controvérsia com relação ao número de negros que entraram no Brasil, o mesmo ocorrendo com relação à população indígena que habitava o país na época da chegada dos colonizadores.
• A ideologia do branqueamento, imposta pelo europeu, apregoando a superioridade do branco ("quanto mais branco, melhor") fez com que muitos indivíduos de ascendência negra passassem por brancos nos recenseamentos, a fim de obter maior aceitação social.
• Fatos como esse permitem supor que os números mostrados são exagerados para mais, em relação aos brancos, e para menos, em relação aos negros.
• A ideologia do branqueamento nada mais é que um modelo discriminatório, de natureza racista, criado pelas elites dominantes para marginalizar os negros, impedindo-os de obter ascensão social, econômica e cultural. O branqueamento teve importância decisiva no processo de descaracterização (enquanto raça) e no esvaziamento da consciência étnica dos negros.
• O mulato, produto da miscigenação entre brancos e negros, constitui importante exemplo do poder de influência da ideologia do branqueamento. Por mais "claro" e mais bem-aceito socialmente que o negro, o mulato passou a se considerar superior ao negro, assimilando, com isso, a ideologia do branqueamento.
As cores do brasileiro
A identidade e a consciência étnicas são penosamente escamoteadas pelos brasileiros. Ao se auto-analisarem, procuram sempre elementos de identificação com os símbolos étnicos da camada branca dominante.
No censo de 1980, por exemplo, os não-brancos brasileiros, ao serem inquiridos pelos pesquisadores do IBGE sobre a sua cor, responderam que ela era acastanhada, agalegada, alva, alva escura, alvarenta, alva rosada, alvinha, amarela, amarelada, amarela queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul marinho, baiano, bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada, branca melada, branca morena, branca pálida, branca queimada, branca sardenta, branca suja, branquiça, branquinha, loura, melada, mestiça, miscigenação, mista, morena, morena bem chegada, morena bronzeada, morena canelada, morena castanha, morena clara, morena cor de canela, morenada, morena escura, morena fechada, morenão, morena prata, morena roxa, morena ruiva, morena trigueira, moreninha, mulata, mulatinha, negra, negrota, pálida, paraíba, parda, parda clara, polaca, pouco clara, pouco morena, preta, pretinha, puxa para branca, quase negra, queimada, queimada de praia, queimada de sol, regular, retinha, rosa, rosada, rosa queimada, roxa, ruiva, russo, sapecada, sarará, saraúba, tostada, trigo, trigueira, turva, verde, vermelha, além de outros que não declararam a cor. O total de 136 cores bem demonstra como o brasileiro foge da sua verdade étnica, procurando, através de simbolismos de fuga, situar-se o mais possível próximo do modelo tido como superior.
Retrato do Brasil, 1984, p. 112.
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
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amados ,estou aqui para dar o meu apoio moral e espiritual tmb a esse projeto.sabemos,e falo de cadeira , o q o povo negro,mesmo sendo de deus,passa,ñ só no mundo,como infelizmente na casa do pai.q deus abençõe vcs,,estarei em horação por todos aqueles que querem ver e fazem algo em prol de uma melhoria em nossa igualdade racial.
Paulo, meu irmão, o prazer é todo meu em falar com você meu querido! O mais importante é superarmos o mal entendido, e prosseguir a nossa caminhada com essa afinidade. Muito bom saber que você trabalha com ONG, temos muitas coisas para compartilhar e aprender um com o outro. No nosso encontro do dia 24 nos falamos pessoalmente, muita Paz pra você meu irmão, estamos Juntos.
Meu car irmão em Cristo Hernani, é um prazer falar com vc quero participar não para polemizar e sim para construir percebo e vejo no conteudo desse trabalho muita seriedade e de uma infinita necessidade para todos os negros do Brasil, comecei o texto de protesto emplacando humildade e desculpas se acaso tivesse errado ou confuso, tenho um blog no orkut na minha página PAULO SILVA em que descrevo textos do gênero e está á disposição de qualquer um meu irmão, no teor e no calor da emoção até me expressei ironicamente no texto de PROTESTO,pesso humildemente desculpas por isso, más não sei se por força do trabalhar de Deus, ou das afinidades, ou até das conicedencias, o teor desse texto, é genuinamente o que tenho escrito, e isso é salutar Deus escreve e usa quem quizer, e não quero aqui polemizar e enfim tornar a no0ssa intenção e união a direção do nosso trabalho, reconheço que não deveria ter usado os termos ironicos que depois refletidamente acabei usando meu irmão, más afirmo e gostaria que voc~e reconhecesse que iniciei externando a possibilidade de está confuso, até por não ter um dominio ainda por completo do manuseio dessas páginas, más o que fica de positivi é que cad vêz mais, percebo o teor de afinidades e coincidencias que as páginas tem em relação ao nosso ponto de vista,e cosequentemente o quanto estamos de um lado só, promover Jesus Cristo, e ter coragem de olhar para os nossos problemas internos como negros que somos, meu irmão, e meus irmãos que podem me copiar, vamos nos focar no melhor para nós? vamos nos unir cada vêz mais?Hernani estou a tua disposição moro em São Paulo, sou evangélico petencostal, e sou diretor de ONG que tenho alguns trabalhos em prol da comunidade, como você poderá conferir no meu orkut atravéz das fotografias e eventos, vamos botar pra quebrar nesse encontro......
abraço Hernade e que Deus te abençõe grandemente, A paz do senhor
Paulo meu irmão, com muita certeza “você está confuso”. Este texto foi criado como manifesto no Fórum de lideranças Negras Evangélicas que aconteceu em 2003 em São Paulo, para ser encaminhado para o CBE 2 em Belo Horizonte, e foi publicado na revista Ultimato, em vários sites, blogs, fórum virtuais, Jornais, etc.
Não pode ser de maneira nenhuma um texto seu, foi uma criação coletiva de varias pessoas que participaram do evento, inclusive, eu ajudei a elaborar o texto. Mais como nada é impossível neste mundo, seria bom que você nos informasse a data do seu texto e onde ele foi publicado para não existir nenhuma forma de duvida, neste caso sério de acusação de plagio, que precisamos esclarecer com urgência. Por favor, vamos esclarecer essa situação. Abraço
RESPEITOSAMENTE, HUMILDEMENTE, E TALVÊZ OU CERTAMENTE CONFUSO POR NÃO DETER O USO E COMPREENÇÃO DO MANUSEIO DA PÁGINA, DECLARO QUE ESSE TEXTO ACIMA "SOMOS EVANGÉLICO SIM, MEMBROS DO CORPO DE CRISTO, SENHOR DA IGREJA", É MEU, EU ESCREVÍ E POSTEI NA OCASIÃO DA DATA EM QUE FUI ASSOCIADO, AGORA PERCEBO QUE É POSTADO COMO TEXTO DE ENTRADA DO GRUPO E ASSINADO PELO FORUN DE LIDERANÇA???????, IRMÃOS O QUE É ISSO IRMÃOS???TENHO OMÁXIMO PRAZER EM ENVIAR TEXTOS, SOU HUMILDE,SIMPLES E LAVADO E REMIDO PELO SANGUE DE JESUS CRISTO,ISSO É PLÁGIO ESCANCARADO E FALTA DE PERSONALIDADE, A MENOS QUE EU ESTEJA ENGANADO...DESCULPE, PORÉM O MEU TEXTO QUE MANDEI PARA CONTRIBUIR COM O DESENVOLVIMENTO DAS INFORMAÇÕES ESTÁ SENDO USADO COMO SE TIVESSE SIDO PREPARADO PELA LIODERANÇA??????GOSTARIA QUE ALGUÉM SE PRONUNCIASSE À RESPEITO E QUE DEUS NA SUA INFINITA GRANDEZA OS ABENÇÕE.
Sou Presidente da ANEC - ASSOCIAÇÃO DOS NEGROS E NEGRAS EVANGÉLICOS DE CAMAÇARI e militante do MNE- MOVIMENTO NEGROEVANGÉLICO, e acho de fundamental importânçia a criação de grupos de discussão como este,hajavisto que não temos em nossas congregações a prática de discussão desta temática,haja visto o despreparo involuntário e histórico de nosso lideres.
UM ABRAÇO, E VIVA A YESHUA O CRISTO NEGRO.
Comentário de Osny Honorio em 9 fevereiro 2009 às 17:36
Legal, ainda não tive tempo de dar uma olhada minuciosa nessa ferramenta (AFROKUT) estou terminando umtrabalho e estou meio ansioso para degustar o conteudo dessas páginas, espero sinceramente que não seja um material intolerante religiosamente falando, e também com chamadas racistas com a mascara de igualdade racial etc, oxalá que essa ferramenta de debates,e reflexões serias, fico feliz e tenho certeza que logo mais estarei usufruindo desse material. umforte abraço a todos os irmãos